Começar a vender online

O que vender online em 2026: o que mais vende, quanto sobra e como testar antes de comprar estoque

Para escolher o que vender online, cruze 3 coisas: o que já vende bem (moda, beleza, casa, acessórios e joias), quanto sobra depois do frete e das taxas, e se você pode vender sem autorização. Pelo IBGE, a loja de roupa compra por R$ 100 e vende, em média, por R$ 186. Teste com pouca peça antes do estoque.

Por Thiago BastosAtualizado em 11 min de leitura

Você vê um vídeo de alguém vendendo muito de um produto e pensa: é esse. Compra uma caixa. Três meses depois, metade da caixa ainda está no armário.

Quase sempre o problema não foi o produto. Foi escolher sem fazer 5 perguntas antes, e comprar o estoque antes de saber se alguém paga.

Arte com as 5 perguntas antes de escolher o produto para vender: 1, já vende, tem gente comprando isso online; 2, sobra dinheiro depois de frete, taxa e embalagem; 3, cabe no frete, porque leve e pequeno custa menos para enviar; 4, volta muito, já que tamanho errado é o que mais devolve; 5, pode vender, se Anvisa, Inmetro ou Anatel pedem algo. E teste antes: pouca peça primeiro, estoque depois.

Abaixo, cada pergunta com o número que responde. Nenhum deles é "produto milagroso": são os dados de 2025 e 2026 que ajudam você a não errar a primeira compra.

O que mais vende online no Brasil hoje?

Roupa, beleza, casa, acessórios e joias. É o que as pessoas mais compram e o que mais fatura nas lojas online próprias, aquelas que não são marketplace.

Na pesquisa da CNDL com o SPC Brasil, de 2025, 46% de quem compra pela internet disse comprar roupas, calçados e acessórios. Cosméticos e perfumes vêm com 26%, e artigos para casa com 28%.

O relatório NuvemCommerce 2026, que mede as lojas da Nuvemshop, mostra o mesmo quadro pelo lado de quem vende:

Gráfico de barras com o faturamento das lojas online próprias em 2025 e o crescimento sobre 2024: moda R$ 2,9 bilhões (+35%), saúde e beleza R$ 791 milhões (+44%), casa e decoração R$ 441 milhões (+37%), acessórios R$ 426 milhões (+26%), joias e semijoias R$ 308 milhões (+48%), alimentos e bebidas R$ 261 milhões (+58%) e artesanato R$ 133 milhões (+18%). Fonte: NuvemCommerce 2026, lojas da Nuvemshop.

Moda lidera longe. Mas repare no crescimento: alimentos e bebidas subiu 58%, joias e semijoias 48%, beleza 44%. São setores menores, com espaço para quem está chegando.

Um aviso: vender o que mais vende também quer dizer disputar com mais gente. Moda é o maior setor e também o que mais devolve, como você vai ver abaixo.

A categoria que mais cresce serve para você?

Nem sempre. No primeiro semestre de 2026, a categoria que mais cresceu no e-commerce brasileiro foi Saúde, com alta de 45,8%, segundo a Confi com o E-Commerce Brasil.

O motivo: as canetas emagrecedoras, que faturaram R$ 6,1 bilhões e cresceram 213%. É remédio. Em janeiro de 2026, a Anvisa proibiu canetas vendidas "em perfis no Instagram" sem registro.

A categoria que mais cresce na internet em 2026 é justamente uma que a loja pequena não pode vender. Ranking de "mais vendidos" diz o que o país compra, não o que você pode vender.

Qual produto tem mais margem de lucro?

A referência oficial é do IBGE, e ela diz que roupa é o varejo com mais folga no preço. Na Pesquisa Anual de Comércio de 2024, publicada em julho de 2026, a loja de roupa comprou por R$ 100 e vendeu, em média, por R$ 186.

Gráfico com quanto o varejo brasileiro vende o que comprou por R$ 100, média de 2024: roupas R$ 186, calçados e bolsas R$ 170, móveis e casa R$ 168, cosméticos e perfumes R$ 166, alimentos e bebidas R$ 152 e supermercado R$ 126. A diferença ainda paga aluguel, frete, taxa e imposto, não é lucro. Fonte: IBGE, Pesquisa Anual de Comércio 2024.

Leia com cuidado: essa diferença não é lucro. É o que sobra depois de pagar o produto e antes de pagar todo o resto. E é a média de empresas formais, com loja física e online juntas.

Setor do varejo

Compra por R$ 100, vende por

Parte do preço que sobra

Roupas e complementos

R$ 186,10

46%

Artigos esportivos e de lazer

R$ 172,10

41%

Calçados, bolsas e malas

R$ 170,10

41%

Móveis e artigos para casa

R$ 168,50

40%

Cosméticos, perfumes e farmácia

R$ 166,20

39%

Alimentos e bebidas

R$ 152,30

34%

Supermercado

R$ 126,50

20%

Varejo inteiro

R$ 138,60

27%

E o "cosmético dá 100% de lucro" que circula nos blogs? Fomos atrás: não tem pesquisa por trás. O Sebrae ensina a fazer a conta, mas não publica margem por produto. O número oficial mais perto é esse do IBGE, e ele é média de setor, não do seu produto.

Como saber se vai sobrar dinheiro em cada venda?

Faça a conta da peça antes de comprar a primeira. Pegue o preço que a cliente vai pagar e tire, um por um, tudo que sai dele:

Checklist do que tirar do preço antes de chamar de lucro: o custo da peça, a embalagem e o brinde, o frete que você banca, a taxa de quem recebe o pagamento, a comissão se vender em marketplace, e o imposto e o anúncio divididos pelas vendas. O que sobrou é o lucro.

Exemplo: uma blusa que custa R$ 40 no fornecedor. Se você seguir a média do IBGE, ela sai por R$ 74,44. Parece bom, até tirar a embalagem, o frete que você paga e a taxa do cartão ou do Pix. Se o que sobra não paga a sua hora, o produto não serve, por mais que venda.

O passo a passo completo, com fórmula, está no guia como calcular o preço de venda.

Por que o frete decide o que vender?

Porque é o motivo número 1 de desistir da compra. Na pesquisa E-Consumidor, citada no NuvemCommerce 2026, 57% disseram abandonar a compra por frete muito caro, e 35% por prazo longo.

E a régua subiu. Desde junho de 2025, o Mercado Livre dá frete grátis para compras a partir de R$ 19. É com isso que a sua cliente compara.

  • Leve e pequeno ganha: brinco, capinha, meia, cosmético, acessório de cabelo. Cabe em envelope e o frete pesa pouco no preço.

  • Grande e barato perde: o vaso barato que custa quase o mesmo para enviar vira uma venda difícil.

  • Grande e caro pode dar certo: o frete pesa menos quando o produto vale mais. Ou venda perto de você, com entrega local ou retirada.

Qual produto dá mais devolução?

Calçado e roupa. Pelos dados da Aftersale, no relatório da Confi do primeiro semestre de 2026, calçado é o que mais volta, e 55% das devoluções acontecem por causa do tamanho.

Gráfico de quantos produtos voltam de cada 100 vendidos online: calçados 16 a 20, moda fitness 15 a 18, moda 12 a 18, infantil 12 a 15, cama, mesa e banho 5, cosméticos 4 e móveis 3. 55% das devoluções são por tamanho. Fonte: Aftersale, no relatório da Confi com o E-Commerce Brasil, 1º semestre de 2026.

Não é para fugir da moda. É para entrar sabendo: quem vende roupa pela internet precisa de tabela de medidas, foto no corpo e uma regra de troca clara. E a lei garante à cliente 7 dias para desistir de qualquer compra online (art. 49 do Código de Defesa do Consumidor).

O que precisa de autorização para vender?

Revender a maioria dos produtos não pede licença especial. Alguns pedem, e é melhor saber antes de comprar:

Produto

Pode vender?

O que conferir

Cosmético e perfume (revenda)

Pode. A revenda não precisa de autorização da Anvisa

Se o produto está regular na Anvisa e a regra da sua cidade

Cosmético que você fabrica

Em geral, precisa de autorização da Anvisa (AFE)

A regra do cosmético artesanal ainda está sendo feita

Suplemento

Só se estiver regular na Anvisa

Peça ao fornecedor o comprovante

Doce e comida caseira

Depende da vigilância sanitária da cidade

Chocolate e bala pedem comunicado ao órgão local

Brinquedo

Só com certificação do Inmetro

O selo do Inmetro na embalagem

Fone Bluetooth, drone, roteador

Só homologado pela Anatel

O selo da Anatel no produto

Remédio e caneta emagrecedora

Não

Tem regra própria de venda

A regra que vale para tudo: o que o fornecedor não comprova por escrito, você não vende. Se der problema, quem responde para a cliente é você.

Vale a pena vender produto importado em 2026?

Ficou mais difícil competir no preço. Em maio de 2026, a Medida Provisória 1.357 zerou o imposto de importação das compras de até 50 dólares feitas por pessoa física nas plataformas do Remessa Conforme. A lei foi sancionada em 10 de setembro. O ICMS continua.

Na prática, a blusinha de site internacional voltou a ficar mais barata para a sua cliente. Quem revende produto genérico importado, igual ao que ela acha lá, passa a disputar com esse preço.

O que a loja pequena tem e o site gigante não tem: produto feito aqui ou por você, escolha com gosto, entrega rápida na cidade e alguém que responde no WhatsApp.

Como testar um produto antes de comprar estoque?

Venda antes de estocar. Compre o lote mínimo (ou peça em consignado, se o fornecedor trabalha assim), mostre para quem já te conhece e só recompre maior quando o dinheiro voltar.

Linha do tempo do teste de 4 semanas antes de comprar estoque: semana 1, compre o lote mínimo e combine antes o que é sucesso; semana 2, mostre para quem já te conhece com foto real e preço; semana 3, anote quem perguntou, quem comprou e o que travou; semana 4, decida entre recomprar maior, ajustar o preço ou trocar de produto.

O detalhe que faz o teste funcionar: decida antes de começar o que é sucesso. Por exemplo: "se eu vender as 10 peças em 30 dias, compro 30". Sem essa regra, todo resultado parece "quase deu".

Quer testar um nicho sem comprar nada? Dá para montar uma vitrine com produtos de outras lojas e ganhar comissão de afiliado. Não é o mesmo que ter produto próprio, mas mostra o que o seu público clica e compra.

Quais os erros mais comuns na hora de escolher o que vender?

  • Escolher pelo vídeo viral: quando o produto viraliza, muita gente já está vendendo o mesmo.

  • Olhar só o preço do fornecedor: o barato que pesa 2 kg pode custar mais para enviar do que para comprar.

  • Comprar a grade inteira de primeira: em roupa, compre poucos tamanhos e cores, e aumente o que vendeu.

  • Esquecer a devolução na conta: em calçado, de cada 100 pares, até 20 podem voltar.

  • Achar que "mais vendido" é "mais fácil": o setor que mais vende é também o mais disputado.

Para quem esta lista não serve

Para quem já tem um ofício. Se você faz bolo, costura, pinta ou monta cesta, o produto já te escolheu: a sua pergunta é como vender, não o que vender. Para esse caso, o artigo sobre como vender semijoias online mostra o que a página do produto precisa responder, e vale para qualquer produto feito à mão.

Como fazer isso na sua loja Sellit

Três partes do teste já estão no painel da loja:

  • Preço antes da compra grande: o preço com IA pesquisa quanto o produto custa em outras lojas, compara com o seu custo e a margem que você quer, e avisa quando a conta não fecha com o mercado.

  • Nicho testado sem estoque: a vitrine para afiliados monta uma loja em que cada produto leva para o seu link de afiliado da Shopee, do Mercado Livre ou de outra plataforma.

  • Esgotou? A procura vira fila: com o avise-me quando chegar, quem encontra o produto sem estoque entra numa lista de espera. Quando você repõe, todo mundo é avisado. É o sinal de quanto recomprar.

De onde vêm os números

  • o que vender online
  • produtos para revender
  • margem de lucro
  • começar a vender
  • loja virtual

Perguntas frequentes

O que vender online com pouco dinheiro?
Produto leve, pequeno e que você consegue testar com um lote mínimo: acessório, cosmético, meia, peça de cabelo. O frete pesa pouco no preço, e o dinheiro parado em estoque é pequeno. Antes de comprar, faça a conta da peça: preço menos custo, embalagem, frete e taxa do pagamento.
Qual produto tem a maior margem de lucro?
Pelo IBGE, roupa é o varejo com mais folga no preço: em 2024, a loja comprou por R$ 100 e vendeu, em média, por R$ 186. Calçados vêm em seguida, com R$ 170, e supermercado fica em R$ 126. Essa diferença ainda paga aluguel, frete, taxa e imposto, então não é lucro. Números de "100% de lucro" que circulam não têm pesquisa por trás.
O que não pode vender pela internet?
Remédio, incluindo caneta emagrecedora, tem regra própria e não é para loja comum. Brinquedo só com certificação do Inmetro, eletrônico com rádio (como fone Bluetooth) só homologado pela Anatel, e suplemento só se estiver regular na Anvisa. Revender cosmético pode, sem autorização especial da Anvisa.
Dá para vender online sem ter estoque?
Dá, de dois jeitos: como afiliado, divulgando produtos de outras lojas e ganhando comissão, ou com venda sob encomenda. O dropshipping com produto importado encolheu: no NuvemCommerce 2026, caiu 28% entre os lojistas pesquisados. Para testar se um produto vende antes de comprar estoque, o lote mínimo ainda é o caminho mais seguro.

Coloque isso em prática na sua loja

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