O que vender online em 2026: o que mais vende, quanto sobra e como testar antes de comprar estoque
Para escolher o que vender online, cruze 3 coisas: o que já vende bem (moda, beleza, casa, acessórios e joias), quanto sobra depois do frete e das taxas, e se você pode vender sem autorização. Pelo IBGE, a loja de roupa compra por R$ 100 e vende, em média, por R$ 186. Teste com pouca peça antes do estoque.
Por Thiago BastosAtualizado em 11 min de leitura

Você vê um vídeo de alguém vendendo muito de um produto e pensa: é esse. Compra uma caixa. Três meses depois, metade da caixa ainda está no armário.
Quase sempre o problema não foi o produto. Foi escolher sem fazer 5 perguntas antes, e comprar o estoque antes de saber se alguém paga.

Abaixo, cada pergunta com o número que responde. Nenhum deles é "produto milagroso": são os dados de 2025 e 2026 que ajudam você a não errar a primeira compra.
O que mais vende online no Brasil hoje?
Roupa, beleza, casa, acessórios e joias. É o que as pessoas mais compram e o que mais fatura nas lojas online próprias, aquelas que não são marketplace.
Na pesquisa da CNDL com o SPC Brasil, de 2025, 46% de quem compra pela internet disse comprar roupas, calçados e acessórios. Cosméticos e perfumes vêm com 26%, e artigos para casa com 28%.
O relatório NuvemCommerce 2026, que mede as lojas da Nuvemshop, mostra o mesmo quadro pelo lado de quem vende:

Moda lidera longe. Mas repare no crescimento: alimentos e bebidas subiu 58%, joias e semijoias 48%, beleza 44%. São setores menores, com espaço para quem está chegando.
Um aviso: vender o que mais vende também quer dizer disputar com mais gente. Moda é o maior setor e também o que mais devolve, como você vai ver abaixo.
A categoria que mais cresce serve para você?
Nem sempre. No primeiro semestre de 2026, a categoria que mais cresceu no e-commerce brasileiro foi Saúde, com alta de 45,8%, segundo a Confi com o E-Commerce Brasil.
O motivo: as canetas emagrecedoras, que faturaram R$ 6,1 bilhões e cresceram 213%. É remédio. Em janeiro de 2026, a Anvisa proibiu canetas vendidas "em perfis no Instagram" sem registro.
A categoria que mais cresce na internet em 2026 é justamente uma que a loja pequena não pode vender. Ranking de "mais vendidos" diz o que o país compra, não o que você pode vender.
Qual produto tem mais margem de lucro?
A referência oficial é do IBGE, e ela diz que roupa é o varejo com mais folga no preço. Na Pesquisa Anual de Comércio de 2024, publicada em julho de 2026, a loja de roupa comprou por R$ 100 e vendeu, em média, por R$ 186.

Leia com cuidado: essa diferença não é lucro. É o que sobra depois de pagar o produto e antes de pagar todo o resto. E é a média de empresas formais, com loja física e online juntas.
Setor do varejo | Compra por R$ 100, vende por | Parte do preço que sobra |
|---|---|---|
Roupas e complementos | R$ 186,10 | 46% |
Artigos esportivos e de lazer | R$ 172,10 | 41% |
Calçados, bolsas e malas | R$ 170,10 | 41% |
Móveis e artigos para casa | R$ 168,50 | 40% |
Cosméticos, perfumes e farmácia | R$ 166,20 | 39% |
Alimentos e bebidas | R$ 152,30 | 34% |
Supermercado | R$ 126,50 | 20% |
Varejo inteiro | R$ 138,60 | 27% |
E o "cosmético dá 100% de lucro" que circula nos blogs? Fomos atrás: não tem pesquisa por trás. O Sebrae ensina a fazer a conta, mas não publica margem por produto. O número oficial mais perto é esse do IBGE, e ele é média de setor, não do seu produto.
Como saber se vai sobrar dinheiro em cada venda?
Faça a conta da peça antes de comprar a primeira. Pegue o preço que a cliente vai pagar e tire, um por um, tudo que sai dele:

Exemplo: uma blusa que custa R$ 40 no fornecedor. Se você seguir a média do IBGE, ela sai por R$ 74,44. Parece bom, até tirar a embalagem, o frete que você paga e a taxa do cartão ou do Pix. Se o que sobra não paga a sua hora, o produto não serve, por mais que venda.
O passo a passo completo, com fórmula, está no guia como calcular o preço de venda.
Por que o frete decide o que vender?
Porque é o motivo número 1 de desistir da compra. Na pesquisa E-Consumidor, citada no NuvemCommerce 2026, 57% disseram abandonar a compra por frete muito caro, e 35% por prazo longo.
E a régua subiu. Desde junho de 2025, o Mercado Livre dá frete grátis para compras a partir de R$ 19. É com isso que a sua cliente compara.
Leve e pequeno ganha: brinco, capinha, meia, cosmético, acessório de cabelo. Cabe em envelope e o frete pesa pouco no preço.
Grande e barato perde: o vaso barato que custa quase o mesmo para enviar vira uma venda difícil.
Grande e caro pode dar certo: o frete pesa menos quando o produto vale mais. Ou venda perto de você, com entrega local ou retirada.
Qual produto dá mais devolução?
Calçado e roupa. Pelos dados da Aftersale, no relatório da Confi do primeiro semestre de 2026, calçado é o que mais volta, e 55% das devoluções acontecem por causa do tamanho.

Não é para fugir da moda. É para entrar sabendo: quem vende roupa pela internet precisa de tabela de medidas, foto no corpo e uma regra de troca clara. E a lei garante à cliente 7 dias para desistir de qualquer compra online (art. 49 do Código de Defesa do Consumidor).
O que precisa de autorização para vender?
Revender a maioria dos produtos não pede licença especial. Alguns pedem, e é melhor saber antes de comprar:
Produto | Pode vender? | O que conferir |
|---|---|---|
Cosmético e perfume (revenda) | Pode. A revenda não precisa de autorização da Anvisa | Se o produto está regular na Anvisa e a regra da sua cidade |
Cosmético que você fabrica | Em geral, precisa de autorização da Anvisa (AFE) | A regra do cosmético artesanal ainda está sendo feita |
Suplemento | Só se estiver regular na Anvisa | Peça ao fornecedor o comprovante |
Doce e comida caseira | Depende da vigilância sanitária da cidade | Chocolate e bala pedem comunicado ao órgão local |
Brinquedo | Só com certificação do Inmetro | O selo do Inmetro na embalagem |
Fone Bluetooth, drone, roteador | Só homologado pela Anatel | O selo da Anatel no produto |
Remédio e caneta emagrecedora | Não | Tem regra própria de venda |
A regra que vale para tudo: o que o fornecedor não comprova por escrito, você não vende. Se der problema, quem responde para a cliente é você.
Vale a pena vender produto importado em 2026?
Ficou mais difícil competir no preço. Em maio de 2026, a Medida Provisória 1.357 zerou o imposto de importação das compras de até 50 dólares feitas por pessoa física nas plataformas do Remessa Conforme. A lei foi sancionada em 10 de setembro. O ICMS continua.
Na prática, a blusinha de site internacional voltou a ficar mais barata para a sua cliente. Quem revende produto genérico importado, igual ao que ela acha lá, passa a disputar com esse preço.
O que a loja pequena tem e o site gigante não tem: produto feito aqui ou por você, escolha com gosto, entrega rápida na cidade e alguém que responde no WhatsApp.
Como testar um produto antes de comprar estoque?
Venda antes de estocar. Compre o lote mínimo (ou peça em consignado, se o fornecedor trabalha assim), mostre para quem já te conhece e só recompre maior quando o dinheiro voltar.

O detalhe que faz o teste funcionar: decida antes de começar o que é sucesso. Por exemplo: "se eu vender as 10 peças em 30 dias, compro 30". Sem essa regra, todo resultado parece "quase deu".
Quer testar um nicho sem comprar nada? Dá para montar uma vitrine com produtos de outras lojas e ganhar comissão de afiliado. Não é o mesmo que ter produto próprio, mas mostra o que o seu público clica e compra.
Quais os erros mais comuns na hora de escolher o que vender?
Escolher pelo vídeo viral: quando o produto viraliza, muita gente já está vendendo o mesmo.
Olhar só o preço do fornecedor: o barato que pesa 2 kg pode custar mais para enviar do que para comprar.
Comprar a grade inteira de primeira: em roupa, compre poucos tamanhos e cores, e aumente o que vendeu.
Esquecer a devolução na conta: em calçado, de cada 100 pares, até 20 podem voltar.
Achar que "mais vendido" é "mais fácil": o setor que mais vende é também o mais disputado.
Para quem esta lista não serve
Para quem já tem um ofício. Se você faz bolo, costura, pinta ou monta cesta, o produto já te escolheu: a sua pergunta é como vender, não o que vender. Para esse caso, o artigo sobre como vender semijoias online mostra o que a página do produto precisa responder, e vale para qualquer produto feito à mão.
Como fazer isso na sua loja Sellit
Três partes do teste já estão no painel da loja:
Preço antes da compra grande: o preço com IA pesquisa quanto o produto custa em outras lojas, compara com o seu custo e a margem que você quer, e avisa quando a conta não fecha com o mercado.
Nicho testado sem estoque: a vitrine para afiliados monta uma loja em que cada produto leva para o seu link de afiliado da Shopee, do Mercado Livre ou de outra plataforma.
Esgotou? A procura vira fila: com o avise-me quando chegar, quem encontra o produto sem estoque entra numa lista de espera. Quando você repõe, todo mundo é avisado. É o sinal de quanto recomprar.
De onde vêm os números
Faturamento e crescimento por segmento em 2025, e frete como motivo de desistência (57%) e prazo (35%): NuvemCommerce 2026, Nuvemshop, páginas 7, 8 e 26, publicado em fevereiro de 2026, dados das lojas da plataforma.
46% compram roupas, calçados e acessórios; 28% artigos para casa; 26% cosméticos e perfumes: CNDL e SPC Brasil, 800 entrevistas em junho de 2025, publicado em agosto de 2025.
Saúde +45,8%, canetas emagrecedoras R$ 6,1 bilhões (+213%), devolução por categoria e 55% por tamanho (dados da Aftersale): Confi e E-Commerce Brasil, 1º semestre de 2026, via Varejo S.A., julho de 2026.
Proibição de canetas vendidas em perfis no Instagram: Agência Brasil, 21/01/2026.
Taxa de margem de comercialização por setor do varejo, 2024: IBGE, Pesquisa Anual de Comércio, tabela 10645 do Sidra, publicada em 29/07/2026. "Compra por R$ 100, vende por" é 100 mais a taxa. "Parte do preço que sobra" é a taxa dividida por 100 mais a taxa, arredondada para baixo. Conta nossa.
Fórmula de markup do Sebrae: Sebrae RN, markup, julho de 2024.
Frete grátis a partir de R$ 19 no Mercado Livre: CNN Brasil, 06/06/2025.
Revenda de cosméticos sem AFE: RDC 16/2014 da Anvisa, art. 5º. Cosmético artesanal: Agência Senado, Lei 15.154/2025 e consulta pública da Anvisa. Alimentos e suplementos: Anvisa, regularização de alimentos.
Brinquedos: Inmetro, Portaria 302/2021. Produtos de telecomunicação: Anatel, homologação.
Fim do imposto de importação até 50 dólares: Agência Senado, MP 1.357/2026, 13/05/2026, e Poder360, sanção da lei, setembro de 2026.
7 dias para desistir: Código de Defesa do Consumidor, art. 49.
Capa: gerada com a IA de imagem da Sellit.
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Perguntas frequentes
- O que vender online com pouco dinheiro?
- Produto leve, pequeno e que você consegue testar com um lote mínimo: acessório, cosmético, meia, peça de cabelo. O frete pesa pouco no preço, e o dinheiro parado em estoque é pequeno. Antes de comprar, faça a conta da peça: preço menos custo, embalagem, frete e taxa do pagamento.
- Qual produto tem a maior margem de lucro?
- Pelo IBGE, roupa é o varejo com mais folga no preço: em 2024, a loja comprou por R$ 100 e vendeu, em média, por R$ 186. Calçados vêm em seguida, com R$ 170, e supermercado fica em R$ 126. Essa diferença ainda paga aluguel, frete, taxa e imposto, então não é lucro. Números de "100% de lucro" que circulam não têm pesquisa por trás.
- O que não pode vender pela internet?
- Remédio, incluindo caneta emagrecedora, tem regra própria e não é para loja comum. Brinquedo só com certificação do Inmetro, eletrônico com rádio (como fone Bluetooth) só homologado pela Anatel, e suplemento só se estiver regular na Anvisa. Revender cosmético pode, sem autorização especial da Anvisa.
- Dá para vender online sem ter estoque?
- Dá, de dois jeitos: como afiliado, divulgando produtos de outras lojas e ganhando comissão, ou com venda sob encomenda. O dropshipping com produto importado encolheu: no NuvemCommerce 2026, caiu 28% entre os lojistas pesquisados. Para testar se um produto vende antes de comprar estoque, o lote mínimo ainda é o caminho mais seguro.
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